4.10.03

Locais Mal Iluminados



As obras no Jardim de Infância da Vila, obrigaram à deslocalização do mesmo da Avenida dos Heróis do Ultramar, para as antigas instalações do Centro de Saúde. O edificio do antigo Centro necessitou de uma intervenção, para que este pudesse acolher as crianças com as devidas condições. No entanto, esta intervenção, vedou o parque de estacionamento que servia o edifício da Junta de Freguesia, bem como o próprio Centro de Saúde. Ora quem conhece esta zona, sabe como alguns casais mais "indisciplinados" usavam este parque de estacionamento durante a noite, para dar asas à s suas paixões, seja pela troca de afectos, de palavras carinhosas, ou outras trocas que não interessa aqui detalhar (isto não é bem "O Meu Pipi").
Para os casais afectados por tão inconvenientes obras, fica aqui o a sugestão de Sardoal Virtual, de outros Locais Mal Iluminados da Vila, para que o fogo da paixão não se deixe extinguir.

Sobreiro de Dona Maria- O Sobreiro de Dona Maria é um local bastante reservado, de acesso algo condicionado, e que não permite grandes surpresas. Qualquer carro, é avistado com a distância temporal necessária, para que o casal em plena labuta, se possa cobrir devidamente, e dissimular a real razão da sua presença no local.

Chafariz das Três Bicas- Bom estacionamento, bons acessos, poucos transeuntes nocturnos. O Chafariz é um clássico que está sempre na moda. Muito usado nas noites de Inverno, tem a vantagem, de após intensa actividade, poder saciar a sede do casal ofegante. Tem o grande problema de ser uns dos locais de final de noite da juventude boémia sardoalense. No entanto, o pico de visitas boémias dá-se no Verão e no Outono, embora possa haver visitas em gélidas noites de Inverno. Mas aí não será problema pois os carros costumam ter os vidros embaciados...

Fonte Férrea- A Fonte Férrea teve o seu auge nos finais de 80 e princípios de 90. Actualmente está um pouco fora de moda. O facto de não ter estacionamento próprio, foi uma das razões que levou ao seu declínio. No entanto, o casal pode deixar o seu veículo no final da Rua da Ladeira, onde existem alguns lugares de estacionamento, e percorrer a Rua das Olarias, até ao acesso da fonte. A iluminação é escassa, existem bancos, embora o local possa ser um pouco frio durante a noite. E claro, há a água férrea, para repor os sais minerais perdidos, após tamanho esforço (o percurso a pé do estacionamento à Fonte, claro! Já disse que isto não é o Pipi); ou somente para revitalizar os níveis de ferro de alguns corações mais anémicos...


"A donzela era muito formosa à vista, virgem, a quem varão não havia conhecido; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.
Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Deixa-me beber, peço-te, um pouco de água do teu cântaro.
Respondeu ela: Bebe, meu senhor. Então com presteza abaixou o seu cântaro sobre a mão e deu-lhe de beber.
E quando acabou de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber.
Também com presteza despejou o seu cântaro no bebedouro e, correndo outra vez ao poço, tirou água para todos os camelos dele.
E o homem a contemplava atentamente, em silêncio, para saber se o Senhor havia tornado próspera a sua jornada, ou não."

"Livro do Génesis" - Bíblia

3.10.03

Aviso Casadoiro

Avisam-se todos os casais interessados que a próxima data dos "Cursos de Preparação Para o Matrimónio", promovido pela paróquia, é dia 8 de Novembro de 2003.
Salvem as Gravuras da Igreja



A pintura da Igreja Matriz, já há algum tempo necessária, veio levantar um grave problema de preservação do património da Vila.
Conhecendo a pouca tradição de pintores no Sardoal, parece estranho que as autoridades competentes não prevejam o grave atentado que a paróquia se prepara para cometer. Alguns artistas, visivelmente em fase de tirocinio, decidiram enriquecer a parede lateral direita da Igreja, com declarações de amor, acertadas tiradas filosóficas, ou pequenos devaneios íntimos.
Sardoal Virtual apela aqui, a todos os Lagartos, para que se manifestem junto da paróquia, para que a pintura da Igreja seja suspensa, até que se encontre uma forma de preservar tão cosmopolitas e nobres representações da arte que se vai fazendo nesta Vila.




"Ainda com a pena na mão, depois de riscar e rabiscar muito, lá consigo pôr quatro ideias mais ou menos chochas(...)"

Bulhão Pato, "Digressões e Novelas"

2.10.03

A Silly Season Prossegue...



A nossa região carece de notícias! À falta de crimes passionais, ou famí­lias desalojadas por catástrofes naturais, surge-nos um drama ambiental sem precedentes.
O sempre atento e actual "Primeira Linha", brinda-nos esta semana com uma manchete, que lança o pânico na região.
"Surto de ratazanas invade Tramagal". Tanto destaque de capa, e nem uma foto das ditas.
O Sardoal Virtual, sugere, desde já, manchetes para as próximas semanas, aguardando que a natureza, se encarregue de colaborar com os jornalistas da publicação.

-> "Praga de gafanhotos lança o pânico em Ribeira da Brunheta"
-> "Invasão de acácias põe em perigo saneamento básico de Lomba"
-> "Horda de térmites provoca apagão em São Facundo"

O Céu do Sardoal Hoje Está Assim!

Foto tirada às 18:02

"Ficções do interlúdio, cobrindo coloridamente o marasmo e a desídia da nossa íntima descrença."

Fernando Pessoa, "O Livro do Desassossego"

1.10.03

O Dia da Palmeira

Foto tirada dias antes da tempestade

Foi em Agosto de 2002. Uma trovoada de Verão levou-nos uma das árvores classificadas do concelho. Companhia de muitas gerações, um raio fulminou um dos principais símbolos da terra. Ainda houve esperança, que a árvore se salvasse. Durante alguns meses, todos olhámos para o alto, na esperança de ver a Palmeira a ganhar nova vida. As folhas foram caindo, a esperança foi-se desvanecendo. A Palmeira acabou por ser abatida.
Numa terra com tão poucas actividades, podia aproveitar-se um acontecimento destes, para criar uma festividade. Há por aí festividades que surgem por bem menos. Ainda por cima em Agosto, altura em que todas as localidades portuguesas parecem uma cidade do Oeste americano em dia de duelo. Seria uma boa altura para dinamizar actividades, que até poderiam servir de balão de ensaio para as Festas de Setembro. Bastavam dois dias, uma barraquinha a vender copos, uma exposição, um palco para o que apetecesse fazer. E com isto, apelávamos ao convívio, à dinamização cultural, e recordávamos um símbolo desaparecido. Parecendo que não, aquela Palmeira, presenciou muitos acontecimentos (se as árvores falassem!), nesta Vila, e de alguma forma acompanhou todo o século XX do Sardoal.
Eu sei que a ideia não parece séria, mas neste início de milénio há poucas ideias sérias por aí...

Palmeira da Casa Grande, há aí um pessoal que não te esquece...


"As palmeiras são, na sua maioria, plantas tropicais que se distinguem, no seu habitat natural, por troncos altos e sem ramos, encimados por um tufo de folhas plumosas ou em forma de leque.(...)"

Selecções Do Reader's Digest, “O Grande Livro das Plantas de Interior”

30.9.03

Jóli, o cão que é malta!



Todas as terras têm as suas figuras. Símbolos que atravessam gerações, e que, devido a alguma excentricidade, se tornam populares, tornando-se parte do património cultural de todo um povo. Há os bêbados, as mulheres de mau porte, aqueles que ainda conservam alguma profissão mais tradicional ou fora do comum, aqueles a quem "falta um parafuso", e há também os que conjugam um pouco das características anteriores. No Sardoal há todo esse tipo de gente. E há o Jóli!
Começo por dizer, para quem não sabe, que Jóli é um cão. Sem donos definidos, com muitos amigos indefinidos. E é, provavelmente a figura mais popular do Sardoal, neste início de século. O Jóli é um boémio. É possível encontrá-lo virtualmente em qualquer local onde haja o menor indício de festa. E se não vai pelos seus meios, alguém o há-de levar. Sim, porque dão boleia ao Jóli, para bares, discotecas, arraiais populares. Ele sabe o que fazer quando se abre a porta do carro. Senta-se no banco de trás (sente-se inseguro no lugar do pendura), e é vê-lo sentado nas patas de trás, como que dizendo, "Para onde vamos? Onde é a festa?". E é vê-lo chegar ao local, e ser cumprimentado por todos. Ele nunca nega um cumprimento.
Muitas vezes o Jóli parece ter o dom da ubiquidade. Estamos num bar, com o Jóli a circular entre o pessoal, mudamos de local e lá está o Jóli, a cirandar, como se de um local para outro, o seu único esforço, fosse um passe de mágica. O Jóli pode aparecer nos locais mais inesperados, às horas mais inusitadas, mas é natural que o faça, é sinal que um bom grupo de farra está reunido.
O Jóli não ladra, é raro responder aos outros cães, até porque não está para isso. Ele quer é boa disposição, e estar entre os amigos, sem "más ondas". É também uma questão de classe, ele sabe que é cão, mas não se porta como tal, ele só responde na sua língua, e essa vai muito para além dos latidos.
O Jóli tem hábitos, porque nem só o homem é um animal de hábitos, dorme de dia, anda de noite. Na Semana Santa costuma estar junto ao Café Avenida, deitado, a ver as procissões passarem, e sempre acompanhado. O Jóli não vai às cadelas! Até correm rumores acerca da sua sexualidade, mas nem isso lhe tira popularidade... Acho até que o Jóli poderia integrar uma lista nas próximas eleições autárquicas, ficaria bem como vogal de uma Junta de Freguesia, e ninguém como ele, corre estes caminhos, de dia e de noite (especialmente à noite), e se dá bem com toda a gente.
Todos temos histórias com o Jóli, algumas que parecem quase de ordem do sobrenatural. Talvez seja por isso que ele é tão popular, todos nós temos um bocadinho de Jóli na nossa vida.

O Jóli não é pessoa, mas é gente...


"Alguém falou da tristeza e do vazio do olhar dos animais. Vi a tristeza, em certos momentos, no olhar do cão. A tristeza de quem quer chegar à palavra e não consegue. Mas não vi o vazio. O vazio está talvez nos nossos olhos. Quando por vezes nos perdemos dentro de nós mesmos. Ou quando buscamos um sentido e não achamos.
O cão sabia o sentido, o seu sentido. E nunca se perdia."

Manuel Alegre, "Cão Como Nós"

29.9.03

Festas do Concelho 2003, a análise



As Expectativas
Finalmente o tempo esteve de feição. Desde 1997 que chovia em todas as edições, e a chuva já começava a ser tradição. As primeiras chuvas de Setembro davam já o sinal de que um dos pontos altos da vida cultural e social da Vila se aproximava. O primeiro cheiro a terra molhada, um pouco como as madalenas para Proust, despertavam as recordações dos anos anteriores. As grandes bebedeiras, (as figuras tristes); os bons concertos, (os pulos até à exaustão); os petiscos pela madrugada, (a azia matinal); os amigos que só se vêem uma vez por ano (alguns sem grande entusiasmo!).

As Tascas
Este ano tivemos um número anormalmente alto de tasquinhas, 23! Claro que nem todas podem ser chamadas verdadeiramente de tasquinhas, as roullotes de cerveja, de alguma forma, representam o mais puro dos mercantilismos festeiros, e o desvirtuar do espirito tasca (talvez fosse pertinente a introdução de requisitos mínimos para a atribuição de licença para uma tasquinha, para que se evitasse as tasquinhas caixa vermelha com bica de imperial). Claro que há excepções, boas excepções. Confesso que não fui a todas as tasquinhas, muito longe disso, mas houve três das quais gostei particularmente; Tasquinha "A Cavalariça", Tasquinha "N.º 1" e a Tasquinha da Ass. de Monte Cimeiro.
N' "A Cavalariça" geralmente eram onde acabavam as noites e onde o grupo certo para os finais de noite se encontrava. Na "N.º 1" fiz a minha melhor refeição destas festas, uma Picanha à Brasileira, que apesar de estar bastante simples, fez-me pedir uma segunda dose, o que é prova da sua eficácia. E o destaque especial vai, é claro, para a "Tasquinha da Ass. de Monte Cimeiro", pois é aquela que de alguma forma procura preservar as tradições da nossa terra, seja pela via gastronómica, tendo todos os dias pratos típicos do concelho, e por ser aquela que mais convidava ao convívio dos "palradores", havia um bom ambiente, muitas mesas e cadeiras, e jarros de sangria a um preço bastante acessível, para que pudesse ser combustível de conversas. O bairrismo (no bom sentido) e a união que as gentes de Monte Cimeiro demonstram nesta tasca, devia ser um exemplo para outras localidades do concelho, inclusive para a Vila. Somos demasiado pequenos para divisões e tricas desnecessárias.

O Cartaz
O cartaz não prometia muito. Era unânime a opinião de que este seria, porventura, o cartaz mais fraco dos últimos anos. Mas os fiéis das Festas sabem como isso é pouco importante. O importante é que as pessoas certas se juntem, e saibam fazer das Festas aquilo que à partida não prometem; inovação, variedade e vivacidade.
Como é óbvio, não vi todos os eventos propostos pelo cartaz das festas, nem mesmo aquele que seria o ponto alto destas festas. Vi os concertos da primeira noite, e apesar de ambas as bandas terem estado bem, Assemblent e Hyubris, acho que a escolha dos Assemblent é um pouco descuidada. Independentemente da qualidade que revelam, isso não está em causa, o seu tipo de música está muito longe de ser apropriado a um evento deste tipo, especialmente no palco principal. Por alguma razão, no dia seguinte, muitas pessoas, particularmente as mais velhas, classificavam o concerto como "muito mau". Era uma forma até de reservar o próprio grupo. Seria interessante, em festas futuras, a criação de um palco secundário em que se desse voz a grupos mais alternativos, não necessariamente musicais; poderia ser uma rapaziada a fazer "Stand Up", uma miudagem a dançar, uma peça de teatro (onde está o teatro nas Festas do Concelho?). poderia até funcionar como atracção após o fecho do palco principal. Haja vontade!
A noite de fados trouxe muita gente à festa! Não estive com atenção ao concerto, não sou um grande apreciador, mas vi pelo entusiasmo das pessoas mais velhas, que devem ter gostado. O fado ainda arrasta multidões mesmo que a qualidade de alguns artistas não seja a esperada...
Quanto a Quinta do Bill, parece ter sido um concerto fabuloso. Digo parece, pois vi somente uma pequena parte do concerto. A opinião unânime dos espectadores indicava uma satisfação total e a esperança que não voltem a passar 15 anos até ao seu regresso ao Sardoal.
De Pedro Barroso, não tenho qualquer feedback. Na última noite já não estive no Sardoal e não tenho qualquer informação do que aconteceu no palco principal.
Nas outras actividades; as exposições foram regulares, com algum destaque para as fotos do "Cameramen Metálico"; o "Adventure Paper" foi uma "aventura", e proporcionou um dia muito bem passado, cheio de actividades radicais, perguntas curiosas para respostas ainda mais curiosas, e a oportunidade de conhecer um pouco mais do nosso concelho.

Mostra de Artesanato
O que se passa? Toda a gente o diz, "De ano para ano a mostra de artesanato está mais fraca!". É verdade que a promoção dos artesãos da terra é importante, mas não será a presença de boleiras e doceiras desproporcionada e até um pouco despropositada? O espaço é curto, é sabido, e a deslocalização da mostra de artesanato, iria descaracterizar a festa, mas concerteza existem soluções para alargar o número de expositores, e dotar as festas de uma "verdadeira" mostra de artesanato, a exemplo do que têm os nossos vizinhos de Vila de Rei e de Abrantes. E as mostras de artesanato levam muitas pessoas a quaisquer festas. Justificar-se-á um stand da "Associação de Pais"? Ou de órgãos de comunicação social, com uma presença quase nula. O modelo devia ser repensado.

O Ambiente
Houve um recorde de afluência de visitantes. No Sábado à noite, dia 20 de Setembro, era muito difícil a deslocação junto à Praça da República, quase impossível e só os mais pacientes, os que não se importam de levar encontrões e pisadelas em número bem anormal, se atreviam a atravessar a multidão. Não houve distúrbios de monta, nem ataques de mangueira em riste pela madrugada, quem estava nas Festas de 2002, sabe do que falo. As tascas estiveram sempre bem compostas. E apesar de não haver "actividades oficiais" após o fecho do palco principal, ficaram sempre centenas de pessoas a circular pelas ruas, ou a aproveitar os últimos petiscos que as tascas dispunham, é que cerveja, essa, há sempre!
E o balanço é sempre positivo! Até pró ano...
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Olá Lagartos e amigos da terra! Este blog pretende ser um repositório das nossas vivências na terra que tanto amamos. Disponham e abusem , isto está cá para isto mesmo.


"Amélia indagou se Amâncio também escrevia. Ele disse que sim, a sorrir-se, a desculpar-se com os outros. - Quem neste mundo não rabisca mais ou menos?"

Aloísio Azevedo, "Casa da Pensão"

Jóli "vence" competição na "Foto Digital" Jóli - para quem ainda desconhece, digno e prezado "relações públ...